Agência Brasil/Wilson Dias

Até a próxima sexta-feira (23), o Brasil está sediando o maior evento global sobre questões hídricas: o 8º Fórum Mundial da Água. O evento foi construído de forma participativa desde o encerramento da sétima edição, na Coreia do Sul, em 2015. Cerca de 1500 instituições de cerca de 100 países participaram desse processo preparatório com expressiva participação social, um marco na história do Fórum.

O Fórum reúne em Brasília representantes de mais de 170 países – cientistas, governantes, parlamentares, juízes, pessoas engajadas, ONGs, pesquisadores e cidadãos comuns – para trocar experiências, analisar problemas e buscar soluções relacionadas ao uso consciente da água em todo o planeta.

O Fórum Mundial da Água busca trazer, acima de tudo, educação e consciência ambiental. Levar a água para a agenda do cidadão comum. A pretensão é que o Fórum transforme a discussão política sobre a água, que eleve a preocupação com o tema. Para isso, é necessário que todos os setores da sociedade se engajem e participem do evento.

O Brasil tem muita água doce, mas ela é distribuída de forma desigual. A região com mais oferta de água (Norte) é a menos populosa e onde está a maior concentração populacional (Sudeste), a água é limitada.

O acesso a água limpa e segura e ao saneamento básico não são privilégios. São direitos humanos básicos reconhecidos pela Organização das Nações Unidas, desde 2010. Porém, em diferentes escalas, a escassez de água é uma realidade global que força governos, empresas e cidadãos a pensar em soluções para que a água não acabe, comprometendo todas as atividades humanas e até a vida no planeta.

Essas questões reforçam a importância da realização do Fórum no Brasil. 86 expositores, cerca de 1.300 palestrantes e mais de 45 mil pessoas estarão reunidos em Brasília para participar das cerca de 300 sessões, debates e eventos paralelos, todos relacionados à água.

A Vila Cidadã é uma das inovações da edição brasileira do Fórum. Mostras de cinema, experiências interativas e muita informação sobre o uso sustentável da água pretendem envolver cidadãos comuns de todas as idades com a temática da água. A programação se estenderá pela noite com apresentações lúdicas e culturais. Além disso, a Vila tem um mercado de soluções, espaço onde serão apresentadas soluções para o tema água, que foram selecionadas em todo o mundo.

O lago Paranoá, na região central da capital federal, será o cenário de eventos esportivos ligados ao Fórum, incluindo regatas, canoagem, natação, polo aquático, corrida, dentre outros.

O Fórum Mundial da Água também está comprometido com os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS), tema da terceira rodada de debates na plataforma online Sua Voz. As sugestões apresentadas pelos participantes serão levadas para os debates no Fórum.

A expectativa é que, após o 8º Fórum, as pessoas estejam mais sensibilizadas de que é preciso mudar o padrão de consumo, e promover o uso consciente e sustentável dos recursos hídricos para que a água, elemento indispensável à vida, não se torne um recurso cada vez mais escasso e sujeito a disputas.